Primeiro dia de aula: o que o coração de mãe sente e ninguém vê  – Por Juliana Brandileone

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Primeiro dia de aula 

Na sexta-feira, depois da busca por uma escola que se adequasse a nossa necessidade, encontramos uma escola perto de casa, bacana e com a metodologia de ensino embasada pela pedagogia afetiva. Muito legal, mas não vou ficar aqui fazendo propaganda não, quero apenas transcrever a mistura de sentimentos de uma mãe ao deixar seu filho na escola.

Depois de sexta e da matricula, fiquei “macha” o final de semana todo. Juro…Fui valente com o meu marido comprar mochila e alguns itens pedidos na listinha da escola.

Domingo comecei a arrumar a malinha dele para a aula (confesso que já começou a bater um puta que pariu interno que nem conto pra vocês). Nome em todas as peças, separar mamadeira, fralda, copinho, shampoo, lancheira, brinquedos, mochila etc. A cada peça separada, eu colocava um pedaço do meu coração em silêncio dentro.

Conversei com ele depois do banho, disse que no dia seguinte ia ver os amigos e brincar muito na escola. Ele sorriu, ficou muito feliz e disse: Obaaa!

Não dormi direito… nem o pai! Ele capotou!!

Acordamos, fiz toda rotina matinal e fomos comprar as últimas coisas que faltavam. Almoço pronto, vamos ao processo de alimentar… hoje, só porque tinha horário ele demorou mais do que o normal… ou era eu que estava ansiosa, o fato é que a aula começava às 13h, eram 12h37 e eu ainda na sobremesa.

Ufa… agora trocar fralda e deixar o filho bem cheiroso para ir pra escola (crianças cheirosas atraem rs). Dei aquela cafungada no cangote cheiroso e falei vamos…. Meu coração disparou e ele simplesmente pegou sua mochila dos Minions e foi pra porta! Eis que o filho da mãe está mais pronto que eu…

Entramos no carro, mochila pra dentro e ele pede a chupeta! Penso eu… f$%deu! Ele vai dar trabalho… (só um comentário a mais e a parte… como a cabeça da gente viaja!)

Chegamos na porta da escola e a tia abriu o maior sorriso pra ele! Para mim, por 30 segundos apenas, ela era o monstro do lago Ness surgindo pra pegar meu filho… ele foi, já perguntando dos amigos, ajeitou a mochila no chão, me deu um sorriso e saiu andando valente para seu primeiro dia de aula. Me deu um beijo e sorrindo me disse: Tchau mamãe.

Pilillilililimmmm … esse foi o som do coração desmoronando no chão. Aí escuto, vai firme mãe, você sofre e ele não.

Beleza… entrei no carro… silêncio! Parecia um carro vazio até sem mim dentro!

Cheguei em casa e me certifiquei se não tinha ninguém na cadeirinha. Subi… O silêncio sem ele… sem a Peppa e sem a Luna! Não preciso andar nas pontas dos pés e não preciso falar baixo no telefone…Agora estou eu aqui, com meu kit desfibrilador e escrevendo para vocês a tarde mais longa da minha vida kkkk.

Como me sinto? Apesar de perdida dentro da casa vazia, parecendo um peido dentro de uma bombacha, estou feliz. A conquista é dele, mas a realização é nossa. Acho que esse sentimento é o mesmo em todas as fases do desenvolvimento de um filho. Sofremos a dor silenciosa de que estão cada vez mais independentes, mas vibramos ao ver que o desenvolvimento faz parte da historia de todas as crianças.

No meu caso, meu filho sabe falar tudo… tudo mesmo. Tem bastante energia. Gosta de brincar e não tem preconceito com idade. O negócio dele é se divertir. Até ontem, sentava para assistir seu desenho preferido, tinha seu momento de sono e colinho. Nossos horários e nossas regras, mas entendi que eu não mais era o suficiente para ele… ele precisava de outras crianças.

Passei por algumas escolas. Encontrei as que amei e não poderia pagar, encontrei as que poderia pagar mas jamais deixaria meu filho, e por fim encontrei uma que atendia a minha necessidade e poderia pagar. A escola não tinha nome comprido, importado, renomado ou qualquer outro gueri gueri… era uma escola pequena, que tinha acolhimento, limpeza, com separação de salas por idade, cozinha aberta e com pessoas te recebendo com um sorriso. Por isso, é onde ele está agora!

Boa sorte minha vidinha… você um dia vai ler isso e vai entender que tudo foi por amor!

Começa hoje um caminho sem volta e o mundo será seu limite!

Te amo mais do que possa imaginar e nos vemos às 17h30.

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