Primeira Semana em casa – Por Juliana Brandileone

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Começamos essa semana com a nossa nova colunista Juliana Brandileone,  após a boa repercussão de seu texto da semana passada em nosso blog, iniciamos a partir de hoje a nossa parceria com ela onde ela contará suas experiências como mãe em nosso blog, de forma divertida e única, ao ler as histórias da Juliana, podemos nos identificar com quase todas elas.
Espero que gostem de nossa nova colunista.
***
Conforme havia dito no post anterior, e dada a largada para a missão mãe, vou compartilhar a minha, vejam, A MINHA estória sobre a primeira semana como mãe e qualquer semelhança será mera coincidência!
Pronto…
Recolhidas 915 tralhas bolsas e bolsinhas que levei para a maternidade e mais os presentes ganhos, quando olha tudo aquilo você se depara com uma realidade: nunca mais a partir de hoje sairei eu e minha bolsa de casa…. será sempre um evento!
Vamos para o carro… bebê conforto ajeitado e Guigui acomodado nele!
Eu, muiiiiito juvenil e marinheira de primeira viagem saquei a chupeta em formato de bola de basquete e coloquei na boca do filhote… e Vupt… sugou de primeira! A enfermeira tomou o maior susto mas elogiou pois tem bebês que demoram um certo tempo para pegarem a chupeta, outros nem pegam! Mas… cada caso um caso!
Pegando elevador, a enfermeira diz que ela que tem que dar a saída do bebê com a segurança do hospital para prevenção de qualquer transtorno (achei digno com tanto maluco que tem solto por aí).
Cadeirinha no carro! (dica… saiam de casa com a cadeirinha já colocada para não apanharem como apanhamos para prender o raio da cadeirinha no banco.)
Indo pra casa… no banco de trás para ficar mais pertinho daquele ser tão indefeso que consegue me desmontar com um choro e, agradecendo muito ao cuidado prestado as nossas ruas em relação a todos os 592 buracos encontrados no caminho do curto percurso até nossa casa!
Chegamos!
Parecia que eu estava carregando um troféu nas mãos! E estava… Ainda na sala escuto um barulho vindo das fraldas… lá vou eu para meu primeiro cocô! Eu…eu mesma e a fralda.
Gente… numa boa… ninguém me disse que o que eu encontraria dentro daquela indefesa fralda seria algo não parecido com cocô mas muito próximo a uma geléia de ameixa… caracas… o mecônio, uma substância viscosa, preta ou esverdeada que foi se acumulando no intestino dele durante a gravidez.
Ninguém me disse mas por ter lido num aplicativo fui apresentada ao mecônio… sim “ele é feito de bile, muco, células da parede do intestino, secreções e líquido amniótico. Não é lá muito bonito, mas sua presença é um sinal de que o intestino do bebê está funcionando como deveria.”
Ótimo.
Sabe quando você olha e faz cara de ué? … Então, foi minha cara…rs. Quanto mais limpava, mais espalhava…
Aprendi que se limpava o bebê com algodão e água morna… show! Mas não é em todo lugar que você vai que encontrar água morna e muito menos vai viver carregando uma garrafa térmica parecendo a tia que vende café no ponto de ônibus na madrugada! Usei o algodão…sim, mas confesso que por pouco tempo e hoje agradeço a nossa senhora do lencinho umedecido!
Etapa limpa cocô concluída com êxito!
Fase 2: colocar o bebê para mamar…
Alguns acertos e diversos erros e só Jesus na causa!!
Um seio gigante e a meu ver explodindo de leite… me falaram sobre a livre demanda então chorou mamou… lá vamos nós! Aff minhas amigas… aquilo doía….como aquilo doía… repetia diversas vezes mentalmente…eu te amo, eu te amo…eu te amo sem parar… sentindo muita dor mas muito amor… Às vezes tinha a nítida impressão que quando tirasse o Gui do peito o bico do mamilo viria junto….
Genteeeee… e homem ainda reclama de proctologista e chute no saco… pelamorrr! Vem ser mãe pra ver… Achei que estava arrasando com aquela peitaria toda… trocava de peito a cada mamada, mas sempre tem um mamilo que fica pior! Haja lanolina!!!
Ele continuava a sugar que nem um maluco e caía num sono profundo…. acabado de tanto mamar!
No 5° dia mais ou menos… ele começa a pegar meu peito irritado… Quando consegue pegar como ele quer “mama” e dorme cansado…
De repente um som veio da barriga e um choro… burrrrrrrrrr! Pensei…putz a danada da cólica!!! tadinhooooo… (preparam tanto a gente pra essa maldita cólica que você pensa só nisso… dia e noite esperando ela chegar!)
Choro e mais choro… Irritação e muito, mas muito colo para tentar acalmar a fera.
Bolsa térmica… massagem na barriguinha e mais tudo aquilo que todos dizem pra fazer!
Enfim, nada acalmava… mais peito, sugadas, naninha… barulho na barriga e choro! Liguei para o pediatra (que já tinha escolhido antes mesmo de nascer) e disse que só poderia ser cólica pois mamava demais e dormia…
Recomendação: mãe… muito cedo para ter cólicas… maaaaassss tente a bolsa de água quente e se não melhorar luftal… ufa… Tô salva!!
Coloquei a bolsa acalmou um pouco… Logo veio o som junto com mais irritação.
Dei o luftal e o cara chupou a seringa como a última sombra do deserto… Tadinho pensava eu… Se acabando em cólicas…
Dia seguinte chegou e o choro só aumentava… pegava meu peito irritado… Eu apertava o meu seio e saía leite… juro!! Mas mãe júnior que era, não entendi que aquilo poderia não ser suficiente para ele.
Resumo… liguei de novo para o pediatra e aos prantos pedi socorro…
Ele, um cara das antigas e meu pediatra de infância. Ele vira pra mim e diz… Ju, faz um teste… coloca 10 ou 20 ml de água mineral numa chuquinha e da pra ele… Se ele sugar, é fome!
Gente… meu mundo caiu e pensei com desdém: esse doido não sabe o que diz! Mas como mãe desesperada de primeira viagem, respeitei a hierarquia.
Fiz o procedimento… e pá!
Juro que a força que ele segurou a mamadeira com as duas mãos foi incrível… sugou… e muito!! O jeito que ele me olhou foi de “até que enfim mãe!!”
Caí no choro… me senti um nadaaaa! Eu não era suficiente pra ele… Que droga de mãe com um seio de 3 kg não conseguia matar a fome de um ser de 3,5 kg… Em meio a minha frustração e muitas lágrimas, liguei pro pediatra de novo e digo: mamou!
Ouço a voz dele no telefone… “Ju, vai para uma farmácia que o que seu filho tem é fome… ele não pode ter cólica se o que ele tem é fome….. aquilo que você não faz, a Danone e a Nestlé fazem há mais de 40 anos…” Quis morrer! Olhei para o meu marido e recebi o olhar mais confortante e de apoio que precisava. Ele me disse já volto. E foi!
Naquele dia ele mamou com satisfação. Depois da mamada o soninho e não ouvi mais o barulho… ele ficou tranquilo… mas eu in-con-for-ma-da!
Dia seguinte ligo pra GO e ela me manda colocar oxitocina 5 minutos antes de amamentar para descer mais leite…
Tentei… Não desisti fácil. Ele sugava o peito e em 5 minutos introduzia a mamadeira. Me sentia mal por isso! Sabia que era pro bem dele…
Meu marido… um anjo amigo, foi atrás da bombinha de ordenha. Voltou para casa com ela… Pensei: agora vai!
Fiz a ordenha, transformando o meu peito num ubre e em 10 minutos, nem 5 ml.
Coloquei o spray no nariz… Esperei 5 minutos e comecei de novo… nada além do que tinha conseguido… Pensei comigo, amanhã um novo dia …uma nova chance!
Tudo se repetiu e até sangue do peito saiu… aí vinham aquelas vozes de amigas… parentes e desconhecidos…
Aiiii insiste… procura isso… procura até quilo… faz assim faz assado, mas juro… isso só me deixava pior. (Por experiência própria… Quando você escuta todo mundo e da certo ótimo…mas quando falam muitooo na tentativa de te estimular e não dá certo, a frustração é grande. Parece que deu certo com todo mundo, menos com você!)
Era um misto de sentimentos…
queria parar de sentir, ainda que com dor, ele mamando em mim… esse momento é mágico, indescritível …
Não tem explicação que consiga definir essa relação mãe bebê.
Ao mesmo tempo, que raio de mãe era eu que por meu melindre deixaria meu filho passar fome? Turbilhão de emoções. Em uma semana mudei meu jeito de agir e pensar pela primeira vez. Entendi que ser mãe e fazer o bem para meu filho estava além do processo de amamentação.
Parei de me martirizar e descobri que tem um mundo de outras coisas que fazemos por eles que são tão ou mais importantes quanto amamentar…
Não, eu não sou menos mãe que aquelas que deram peito. Também não sou mais.
Sou apenas a mãe que deixou de lado a sua vontade de amamentar para dar ao seu filho o que ele precisava sem perder tempo.
Sou a mãe que olhou para as necessidades antes de qualquer coisa…
Sou a mãe que naquele momento estava em paz por ter alimentado seu filho, independente da forma, mas fazendo o que muitas mães país a fora se quer tem a mínima possibilidade. Sou a mãe que entendeu que aquele pequeno ser dependia de mim para viver…
Sou a mãe que, como você, seria capaz de tudo para ver saudável aquele que veio ao mundo através de si.
Para todas as mães que conseguiram amamentar seus filhos eu fico feliz e sei que a estória de vocês é bem diferente da minha, mas digo…
Se um dia eu tiver o segundo filho, não exitarei fazer tudo outra vez. Seja para dar certo ou errado, não importa… serei a mesma mãe de peito e braços abertos, disposta a proporcionar o que meu organismo permitir a meu filho ou então repetir minha estória, mas nunca sem enxergar em tudo o amor!
Que este texto te faça bem se vive passou ou passa pelo mesmo que eu. Se você não passou, entenda o sentimento que passa na nossa cabeça…
Agora meninas, foi dada a largada para a missão cólicas, leites diversos e baladas noturnas!
Fica para semana que vem! Beijocas…
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