Mãe da semana: Vivian Gambarato: Toda forma de ser mãe!!!

By

olivia e helena2A mãe dessa semana conheci em um grupo de mães, quando ela contou a história dela no grupo, ao final da leitura eu estava chorando igual bebê. Para quem não sabe eu sou apaixonada pelo tema: adoção, inclusive foi o tema da minha monografia na Faculdade de Direito. Então imaginem a minha alegria de postar essa história.

A história dela é muito linda, onde ela apresenta as duas formas de ser mãe a mãe por natureza e a mãe de coração. Espero que você se apaixone como eu pela história dela!

***

Sonho de ser mãe

Sempre sonhei em ser mãe…claro tive vários outros sonhos, mas esse me acompanhava.

Conheci meu marido pela Internet (mas esse é assunto para um outro post) quando já morava sozinha, tinha um bom emprego, e perto dos 30 anos.

Um do pontos que me chamou a atenção foi a vontade dele, assim como a minha, de adotarmos uma criança, independente dos nossos filhos biológicos. E Deus quis assim…

Nos casamos em 2007 e passado um tempo decidimos engravidar. Como se fosse fácil…sempre digo que o “processo” depende de simpatia, alinhamento dos planetas e horário exato para acontecer…então, depois de 2 anos de tentativas, engravidamos!! Mas, nossa felicidade durou apenas alguns dias e sofri um aborto espontâneo. Sofremos muito, mas em 30 dias eu queria saber se meu corpo estava pronto para seguirmos em frente.

Um ano depois (maio de 2011) achei que nosso problema fosse “incompatibilidade de agenda” entre meu óvulo e o espermatozoide do meu marido, então decidimos promover esse encontro. Foi quando fizemos FIV (Fertilização In Vitro) em uma mega clínica em SP. Fomos muito bem orientados e os médicos super claros sobre as possibilidades e chaces, e mais uma vez…decepção.

A partir desse momento percebi que não dependia de nós, mas de Deus achar que seria a hora, ou não. Dizem que eu “desencanei”, mas quem quer engravidar mesmo, não desencana…na verdade eu aceitei…foi quando começamos a pensar que seria a hora de iniciarmos o processo de gravidez do coração.

Em setembro de 2011 fomos nos informar no fórum da cidade onde moramos e a lista de documentos é enorme. Claro que necessário porque afinal não adianta tirar uma criança de uma situação de vulnerabilidade e colocá-la em outra. Nos pediram dados pessoais, fotos da casa, fotos do casal, atestado de saúde física e mental, antecedentes criminais, relatos de duas testemunhas que dissessem que somos bons. Isso só para começar…mas mais uma vez as dificuldades não nos impediram de seguirmos em frente.

Passados uns dois meses, nos ligaram do fórum agendando uma entrevista com um psicólogo e um assistente social. E lá fomos nós…primeiro com meu marido, depois comigo e depois com os dois juntos. Perguntaram principalmente o que nos motivava a querermos adotar uma criança, e nossa resposta foi: porque queremos uma família!!

Nesse dia, me senti muito mal…tivemos que escolher o perfil da criança. Estranho porque parecia que estávamos escolhendo alguma coisa pra comprar. A cada pergunta do questionário que preenchemos eu pensava: mas estamos falando do meu filho ou da minha filha, não de uma coisa. Mas, faz parte do processo. Não “escolhemos” nem sexo, nem cor…idade até 2 anos e que poderiam ser irmãos, viriam todos…rs…

Meses se passaram até que em abril de 2012, em uma ultrassonografia de rotina o médico “descobriu” a Heloísa…nossa primeira filha!! Gravidez de risco, eu já com 35 anos, tive de tudo…desde descolamento de placenta, hipertensão e pré eclâmpisia…mas, o mais interessante do dia do “descobrimento” é que fiz o exame de manhã e dei a notícia para minha mãe. No mesmo dia a tarde, a assistente social me ligou para dizer que estávamos habilitados para adoção e que agora estávamos oficialmente na “fila” do cadastro nacional. Tinha dois positivos!!! Grávida da barriga e do coração.

Porém, a gravidez do coração é bemmm mais demorada. Claro que existia a esperança de nascerem juntas, mas que nada. Bem, mas graças a Deus Helô nasceu bem, prematurinha, mas saudável e uma alegria pra nós. As pessoas que sabiam da outra gravidez, nos perguntavam: e agora, vocês vão sair da fila?? A resposta: claro que não…são coisas iguais, mas diferentes!

Anos se passaram, e eu sempre ligava para a “nossa” assistente social para perguntar do processo. Tudo muito sigiloso, nem em que lugar da fila estávamos.

Foi então que dia 11 de junho (2015) meu marido foi me buscar mais cedo no trabalho e não entendi porque. Sentou em minha mesa e disse, ouve essa ligação (ele grava as ligações no celular). A moça disse que era assistente social, pensei que seria para fazermos mais um curso (tem curso sobre adoção…adorei participar dos que nos convidaram). Quando ela falou: tem uma bebê disponível, ela é negra, tem 5 meses…nem ouvi mais nada…eu tremia de emoção!!

Fomos ao fórum no dia seguinte para dizermos o sim…ainda tremendo, com medo, receio, ansiedade, uma mistura de sentimentos, assim como da gravidez da barriga. Só íamos conhecê-la na semana seguinte e depois que falamos com a psicóloga e assistente social, elas disseram vamos lá? E eu, onde? Elas, conhecer a bebê!

Nossa, meu coração veio na boca…e fomos. Quando chegamos na casa transitória eles a trouxeram, linda…com uma boca de coração e a sobrancelha desenhada. Segurei o choro e disse: oi…sou sua mãe! E ela sorriu pra mim…

A história dela, assim como de outras crianças que vivem em lares temporários não é fácil…sentimos que Deus estava nos dando outro presente, outra possibilidade de fazermos algo por alguém. Só queremos fazer o bem…pra Olívia, pra Helô, pra nós mesmos. Nós por termos uma família, e pra elas por terem e serem irmãs…que relação boa!!

Dias intermináveis até sair a autorização judicial para ela vir pra casa…mas se da outra gravidez tivemos quase 9 meses, desta tivemos quase 9 dias para nos prepararmos e preparamos tudo para recebê-la.

Levamos Heloísa para conhecê-la e com 2 anos e meio, essa menininha é iluminada. Pergunta de tudo, tudo mesmo…que será muito fácil ter as respostas para Olívia quando ela as fizer.

Inclusive, algo muito interessante de tudo isso é que a psicóloga me perguntou como eu pretendia explicar pra ela que a cor da sua pele é diferente da nossa. Eu disse: acho que terei tantas coisas mais difíceis pra explicar pra ela, que a cor da pele vamos tirar de letra!

Ainda temos um longo caminho pela frente, porque os trâmites para adoção são burocráticos e demoram um pouco, agora temos que entender os termos guarda temporária, guarda definitiva, destituição familiar, adoção…coisas complicadas pra nós, mas que fazem parte do processo.

Hoje temos o que sonhamos, uma família “normal” com ciúmes, alegrias, choro, noites mal dormidas, mas uma alegria que não tem fim e um amor maior que tudo!!

“Não habitou meu ventre, mas mergulhou nas entranhas da minha alma. Não foi plasmado do meu sangue, mas alimenta-se no néctar de meus sonhos. Não é fruto de minha hereditariedade, mas molda-se no valor de meu caráter. Se não nasceu de mim, certamente nasceu para mim.” (Autora desconhecida)

olivia e helena3 Achei o máximo essa foto, onde a Heloísa segura a peça com o nome da Olívia como se ela fosse a peça que estava faltando na família!olivia e helena4

Anúncios